Zé Brasileiro (Português de Braga) - Alexandra
autoria: Vasco de Lima Couto/António Sala
P. Essa letra de uma canção famosa da década de 70 é uma breve biografia da sua vida?
R. Sim. Foi um poema que Vasco de Lima Couto fez para me oferecer no meu aniversário em 1969. O poema foi dado ao António Sala para musicar, para fazer um pequeno disco para me oferecer nos meus anos. O António Sala fez a música e inseriu-a para concorrer no Festival da Canção.
P. Como é que se sentia quando ouvia essa música na rádio?
R. Muito bem. Ainda hoje gosto muito de a ouvir. É um espelho da minha vida no Brasil de 1961 a 1969.
Jornal O Mirante, 19/03/2008
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
O Pecado Capital
Em 1975 a RTP organizou o seu habitual Festival da Canção num ambiente configurado pelo PREC (processo revolucionário em curso) em que o exercício da democracia e o receio de desagradar à esquerda estavam presentes em todas as manifestações públicas.
Dando mais importância ao segundo aspecto desvalorizou o primeiro e decidiu, pela primeira vez,
escolher as canções concorrentes não por concurso público mas por convite.
Este convite foi feito muito em cima da hora numa reunião conjunta com todos os autores escolhidos, entre os quais eu, e quando observei que dispúnhamos de pouco tempo para escrever uma boa canção o Zé Mário Branco, na altura o mais radical dos presentes, disse num tom imponente – “Quando se sabe o que é que se tem para dizer não é necessário muito tempo!”
Houve quem lançasse a suspeita de que aquela frase se devia ao facto de ele já ter uma canção pronta para o efeito mas provavelmente isso não corresponderia à realidade.
Acabei por escrever uma canção de parceria com o Jorge Palma com o título “O pecado capital” em que era feito um trocadilho entre o capital adjectivo e substantivo.
O festival realizou-se no Teatro Maria Matos e o processo de votação – também aqui desvalorizando a democracia para dar um ar mais “práfrentex” – foi retirado ao público e entregue aos próprios autores que teriam de votar uns nos outros.
O Zé Mário apareceu com o GAC – Grupo de Acção Cultural – e uma excelente canção heróica de título “Alerta”. O Sérgio Godinho tinha também uma belíssima canção – “A boca do lobo”, apresentando-se estes como os mais fortes concorrentes.
Só que quando se entrou na auto-votação aconteceu o que era previsível; cada um tentou puxar a brasa à sua sardinha e economizou os pontos que concedeu ao mais temido concorrente. Feitas as contas acabou por ganhar uma canção do José Luís Tinoco, que todos achavam bonita mas inofensiva.
Também aqui andávamos todo a aprender a viver em liberdade.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm
Dando mais importância ao segundo aspecto desvalorizou o primeiro e decidiu, pela primeira vez,
escolher as canções concorrentes não por concurso público mas por convite.
Este convite foi feito muito em cima da hora numa reunião conjunta com todos os autores escolhidos, entre os quais eu, e quando observei que dispúnhamos de pouco tempo para escrever uma boa canção o Zé Mário Branco, na altura o mais radical dos presentes, disse num tom imponente – “Quando se sabe o que é que se tem para dizer não é necessário muito tempo!”
Houve quem lançasse a suspeita de que aquela frase se devia ao facto de ele já ter uma canção pronta para o efeito mas provavelmente isso não corresponderia à realidade.
Acabei por escrever uma canção de parceria com o Jorge Palma com o título “O pecado capital” em que era feito um trocadilho entre o capital adjectivo e substantivo.
O festival realizou-se no Teatro Maria Matos e o processo de votação – também aqui desvalorizando a democracia para dar um ar mais “práfrentex” – foi retirado ao público e entregue aos próprios autores que teriam de votar uns nos outros.
O Zé Mário apareceu com o GAC – Grupo de Acção Cultural – e uma excelente canção heróica de título “Alerta”. O Sérgio Godinho tinha também uma belíssima canção – “A boca do lobo”, apresentando-se estes como os mais fortes concorrentes.
Só que quando se entrou na auto-votação aconteceu o que era previsível; cada um tentou puxar a brasa à sua sardinha e economizou os pontos que concedeu ao mais temido concorrente. Feitas as contas acabou por ganhar uma canção do José Luís Tinoco, que todos achavam bonita mas inofensiva.
Também aqui andávamos todo a aprender a viver em liberdade.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm
domingo, 21 de novembro de 2010
Self Made Man
Em 1980 o Festival RTP da Canção ainda constituía um acontecimento musical relevante, não só pelo impacto que conseguia ter no mercado da música mas, principalmente, por contar com uma grande orquestra que ensaiava durante uma semana, produzindo assim uma espécie de "conclave de músicos" cuja repercussão se estendia pelos meses seguintes.
Nesse ano eu concorri com uma canção divertida, “Self made man”, cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saia uma herança duma tia afastada. Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana, formada por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorados por três vozes femininas.
Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "...foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.
Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!
Como a cantiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.
Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do ‘staff’ das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala – comunas… comuuunas…
Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm#selfmademan
Nesse ano eu concorri com uma canção divertida, “Self made man”, cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saia uma herança duma tia afastada. Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana, formada por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorados por três vozes femininas.
Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "...foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.
Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!
Como a cantiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.
Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do ‘staff’ das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala – comunas… comuuunas…
Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm#selfmademan
sábado, 20 de novembro de 2010
Cantemos Até Ser Dia
Já houve um tempo em que os Festivais da Canção da RTP tinham a concurso canções um pouco melhores e, em alguns casos, cantadas por cantores e cantoras, para dizer o mínimo... diferentes.
Ainda voltarei algumas vezes a este assunto. Por hoje, deixo-vos com a Teresa Silva Carvalho, cantando uma grande canção (que não foi a lado nenhum...) da autoria do Pedro Osório, que também orquestrou e dirigiu a orquestra. Estávamos em 1979.
Apenas como curiosidade, a fazer as vozes de suporte para a Teresa, está um “empenhado” coro, constituído pelo Carlos Alberto Moniz, a Madalena Leal (filha do José Viana e da Dora Leal), a nossa amiga Joana (que se deixou destas coisas), eu próprio (apenas com dois terços do peso e uma floresta de cabelo) e a minha companheira de viagem desde há 25 anos, a Maria do Amparo (que suavemente se foi transformando na Vovó Maria).
Mesmo dando-se o caso de alguns de nós termos entrado no mesmo Festival como “artistas principais”, por qualquer razão achávamos que não nos caíam os galões por, na mesma noite, subirmos ao palco como solistas e a seguir, noutra música, fazendo coro para os amigos. Feitios...
Fiquem pois com esta bela melodia (e letra!) do Pedro Osório e entrem bem no fim-de-semana.
Samuel, 06/12/2008
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2008/12/cantemos-at-ser-dia.html
clicar no link acima para ler a letra e ver o video da canção
Ainda voltarei algumas vezes a este assunto. Por hoje, deixo-vos com a Teresa Silva Carvalho, cantando uma grande canção (que não foi a lado nenhum...) da autoria do Pedro Osório, que também orquestrou e dirigiu a orquestra. Estávamos em 1979.
Apenas como curiosidade, a fazer as vozes de suporte para a Teresa, está um “empenhado” coro, constituído pelo Carlos Alberto Moniz, a Madalena Leal (filha do José Viana e da Dora Leal), a nossa amiga Joana (que se deixou destas coisas), eu próprio (apenas com dois terços do peso e uma floresta de cabelo) e a minha companheira de viagem desde há 25 anos, a Maria do Amparo (que suavemente se foi transformando na Vovó Maria).
Mesmo dando-se o caso de alguns de nós termos entrado no mesmo Festival como “artistas principais”, por qualquer razão achávamos que não nos caíam os galões por, na mesma noite, subirmos ao palco como solistas e a seguir, noutra música, fazendo coro para os amigos. Feitios...
Fiquem pois com esta bela melodia (e letra!) do Pedro Osório e entrem bem no fim-de-semana.
Samuel, 06/12/2008
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2008/12/cantemos-at-ser-dia.html
clicar no link acima para ler a letra e ver o video da canção
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Tourada
Os filhos, os amigos, a escola, tudo são sinais que ficam para a vida, por dentro dela. Mas há outros sinais, no meu caso as canções. Em 72 disse ao Ary que aquele meu tema musical me sugeria tourada, praça de touros, cor, trajes, modos e meneios, cortesias e falta delas, a linguagem tão específica da "festa dos touros" que aprendi em anos de transmissões da RTP e que serviram para transmitir ao Ary - "...mas eu não sei nada de touradas!" O vocabulário que consta do histórico texto da canção, escrevi-o eu naquelas folhas de sebenta onde o Ary registou a parte mais importante das letras para Música da história da canção em Portugal.
No próximo sábado, vou à "Casa Maior" do toureio no nosso país cantar a célebre e sempre oportuna "Tourada". Tem um significado especial para mim? Tem. A verdade é que já há uns anos, no mesmo local e com direcção do Filipe La Féria ouvi a dita cantiga cantada por um jovem que a interpretou com coragem e qualidade. Mas ser eu a fazê-lo tem, também para mim, um encanto especial. Porque a tourada continua a ser o espectáculo belo e polémico que se repete na canção, anunciando naquele tempo e para espanto de um povo inteiro, que pouco mais de um ano depois a nossa vida mudaria para nunca mais ser a mesma. Ir lá eu cantar, no pleno exercício da minha profissão e da Liberdade que a "Tourada" gritantemente anunciava, é um motivo de alegria, da mais pura e profunda alegria. Não sei quantas vezes terei cantado a "Tourada", e muito menos quantas vezes voltarei a cantá-la. Mas nenhuma foi ou será como esta, porque esta explica, ao cabo de 37 anos, que o que a canção diz nada tem a ver com um Campo Pequeno, como tantos erradamente julgaram. A "Tourada" tem a ver com o campo muito maior da liberdade que tantos anos depois ainda nos dá sinais de enfraquecimento, lembrando que há que cantar todas as canções do nosso sonho concretizado a tempo inteiro.
Fernando Tordo
http://quandonaosouberescopia.blogspot.com/
03/03/2010
No próximo sábado, vou à "Casa Maior" do toureio no nosso país cantar a célebre e sempre oportuna "Tourada". Tem um significado especial para mim? Tem. A verdade é que já há uns anos, no mesmo local e com direcção do Filipe La Féria ouvi a dita cantiga cantada por um jovem que a interpretou com coragem e qualidade. Mas ser eu a fazê-lo tem, também para mim, um encanto especial. Porque a tourada continua a ser o espectáculo belo e polémico que se repete na canção, anunciando naquele tempo e para espanto de um povo inteiro, que pouco mais de um ano depois a nossa vida mudaria para nunca mais ser a mesma. Ir lá eu cantar, no pleno exercício da minha profissão e da Liberdade que a "Tourada" gritantemente anunciava, é um motivo de alegria, da mais pura e profunda alegria. Não sei quantas vezes terei cantado a "Tourada", e muito menos quantas vezes voltarei a cantá-la. Mas nenhuma foi ou será como esta, porque esta explica, ao cabo de 37 anos, que o que a canção diz nada tem a ver com um Campo Pequeno, como tantos erradamente julgaram. A "Tourada" tem a ver com o campo muito maior da liberdade que tantos anos depois ainda nos dá sinais de enfraquecimento, lembrando que há que cantar todas as canções do nosso sonho concretizado a tempo inteiro.
Fernando Tordo
http://quandonaosouberescopia.blogspot.com/
03/03/2010
domingo, 25 de abril de 2010
E Depois do Adeus

"E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho (King Single, ORFEU WSAT 307, 1974), tem igualmente o seu lugar na história sonora do 25 de Abril. Foi a primeira senha via rádio às 22h55 do dia 24 na Rádio Graça, pertencente aos Emissores Associados de Lisboa. João Paulo Dinis lançou o primeiro sinal: "Faltam cinco minutos para as 23h00. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, "E Depois do Adeus". Era o sinal para a preparação de saída dos quartéis em Lisboa e num raio de 100 quilómetros (potência da rádio), o que incluia a Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas.
A canção, da autoria de José Niza e José Calvário, tinha sido escolhida pelo próprio João Paulo Dinis porque não levantava suspeitas. Era apenas a vencedora do Festival RTP da Canção e representante do país no Festival da Eurovisão que se tinha realizado em Brighton, no Reino Unido, duas semanas antes, no dia 06. O Festival foi ganho por "Waterloo", dos ABBA, e a canção portuguesa ficou em último lugar "ex aequo" com a Noruega, Alemanha e Suiça, com apenas três pontos, um dado por Espanha e dois pela Suiça.
A canção, da autoria de José Niza e José Calvário, tinha sido escolhida pelo próprio João Paulo Dinis porque não levantava suspeitas. Era apenas a vencedora do Festival RTP da Canção e representante do país no Festival da Eurovisão que se tinha realizado em Brighton, no Reino Unido, duas semanas antes, no dia 06. O Festival foi ganho por "Waterloo", dos ABBA, e a canção portuguesa ficou em último lugar "ex aequo" com a Noruega, Alemanha e Suiça, com apenas três pontos, um dado por Espanha e dois pela Suiça.
Luís Pinheiro de Almeida, Netparque, 16/04/2001
E Depois do Adeus
sábado, 20 de março de 2010
O Meu Coração Não Tem Cor
Concorrer para não ganhar
Muitas vezes me perguntam por que nunca ganhámos um ‘Eurovision Song Contest’, entre nós chamado de Eurofestival. Em vez de responder directamente, com uma argumentação que, como todas as argumentações, pode sempre ser rebatida, prefiro contar a minha última experiência nestas andanças deixando as conclusões a cargo de cada um.
Em 1996 concorri ao Festival RTP da Canção com «O meu coração não tem cor», que tinha letra do José Fanha e foi interpretada pela Lúcia Moniz. Ganhámos o Festival e bilhetes para Oslo, onde se realizaria o Eurofestival desse ano.
As duas tarefas mais importantes que se nos deparavam eram, como em todos os espectáculos, a produção e a promoção.
Enquanto que a produção era fundamentalmente gerida por nós, os autores e intérpretes, a promoção era da responsabilidade da RTP. Aí começaram os problemas. Dentro do espírito que, entre nós, tradicionalmente impera na administração pública, os cortes orçamentais começam pela actividade artística. Assim, de toda a publicidade que se pode fazer num caso destes e que passa por anúncios em revistas internacionais da especialidade, CDs de promoção, tournées de apresentação do artista etc., o único passo dado pela RTP foi a distribuição pelos países aderentes à Eurovisão de um vídeo-clip, até porque este era obrigatório pelo regulamento. Mesmo aqui, enquanto países em grande dificuldade como a Bósnia e a Letónia apresentaram vídeo-clips de grande produção, nós mandámos… a gravação da canção feita durante o Festival RTP da Canção. Era a solução mais baratinha e menos eficaz.
Salto aqui as peripécias ocorridas até à nossa partida, para contar duas das muitas por que passámos em Oslo, por me parecerem ainda mais reveladoras.
A semana de ensaios de um Eurofestival atrai uma multidão de jornalistas da especialidade, oriundos de todos os países participantes, cuja atenção tem de ser conquistada, porque as suas notícias são um eficaz meio de persuasão junto dos júris que irão votar na grande noite. Para quem, como nós, não tinha meios financeiros, havia um ponto fulcral da promoção, que era a conferência de imprensa oficial que sucede ao primeiro ensaio geral. Chegámos a essa conferência sem um CD, uma cassete, um desdobrável, um ‘press release’, uma foto da cantora ou uma garrafa miniatura de vinho do Porto. Safou-nos a Lúcia com uma ideia genial: puxando do seu cavaquinho, disse que, uma vez que não tínhamos nada para lhes oferecer, iríamos dar a única coisa que possuíamos. E demos-lhes música.
Na esperada noite do festival, e devido ao facto de as roupas terem chegado poucas horas antes da sua realização, a Lúcia, que era suposto dançar, não pôde fazê-lo porque a presilha de um dos sapatos partiu-se e não foi possível substituí-la, pelo que ela foi obrigada a “arrastar a chinela” (tive de ir eu pedir ao realizador que não a focasse a entrar no palco), enquanto uma das cantoras do coro teve de actuar com a blusa por fora da saia que, tendo chegado com dois números abaixo do devido, era impossível de apertar sem que a impedisse de respirar convenientemente.
Tudo isto, e o mais que aqui não conto, ganha um significado especial se atendermos a que foi com esta canção que Portugal conseguiu a melhor classificação de sempre.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm#concorrer
Muitas vezes me perguntam por que nunca ganhámos um ‘Eurovision Song Contest’, entre nós chamado de Eurofestival. Em vez de responder directamente, com uma argumentação que, como todas as argumentações, pode sempre ser rebatida, prefiro contar a minha última experiência nestas andanças deixando as conclusões a cargo de cada um.
Em 1996 concorri ao Festival RTP da Canção com «O meu coração não tem cor», que tinha letra do José Fanha e foi interpretada pela Lúcia Moniz. Ganhámos o Festival e bilhetes para Oslo, onde se realizaria o Eurofestival desse ano.
As duas tarefas mais importantes que se nos deparavam eram, como em todos os espectáculos, a produção e a promoção.
Enquanto que a produção era fundamentalmente gerida por nós, os autores e intérpretes, a promoção era da responsabilidade da RTP. Aí começaram os problemas. Dentro do espírito que, entre nós, tradicionalmente impera na administração pública, os cortes orçamentais começam pela actividade artística. Assim, de toda a publicidade que se pode fazer num caso destes e que passa por anúncios em revistas internacionais da especialidade, CDs de promoção, tournées de apresentação do artista etc., o único passo dado pela RTP foi a distribuição pelos países aderentes à Eurovisão de um vídeo-clip, até porque este era obrigatório pelo regulamento. Mesmo aqui, enquanto países em grande dificuldade como a Bósnia e a Letónia apresentaram vídeo-clips de grande produção, nós mandámos… a gravação da canção feita durante o Festival RTP da Canção. Era a solução mais baratinha e menos eficaz.
Salto aqui as peripécias ocorridas até à nossa partida, para contar duas das muitas por que passámos em Oslo, por me parecerem ainda mais reveladoras.
A semana de ensaios de um Eurofestival atrai uma multidão de jornalistas da especialidade, oriundos de todos os países participantes, cuja atenção tem de ser conquistada, porque as suas notícias são um eficaz meio de persuasão junto dos júris que irão votar na grande noite. Para quem, como nós, não tinha meios financeiros, havia um ponto fulcral da promoção, que era a conferência de imprensa oficial que sucede ao primeiro ensaio geral. Chegámos a essa conferência sem um CD, uma cassete, um desdobrável, um ‘press release’, uma foto da cantora ou uma garrafa miniatura de vinho do Porto. Safou-nos a Lúcia com uma ideia genial: puxando do seu cavaquinho, disse que, uma vez que não tínhamos nada para lhes oferecer, iríamos dar a única coisa que possuíamos. E demos-lhes música.
Na esperada noite do festival, e devido ao facto de as roupas terem chegado poucas horas antes da sua realização, a Lúcia, que era suposto dançar, não pôde fazê-lo porque a presilha de um dos sapatos partiu-se e não foi possível substituí-la, pelo que ela foi obrigada a “arrastar a chinela” (tive de ir eu pedir ao realizador que não a focasse a entrar no palco), enquanto uma das cantoras do coro teve de actuar com a blusa por fora da saia que, tendo chegado com dois números abaixo do devido, era impossível de apertar sem que a impedisse de respirar convenientemente.
Tudo isto, e o mais que aqui não conto, ganha um significado especial se atendermos a que foi com esta canção que Portugal conseguiu a melhor classificação de sempre.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm#concorrer
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Lúcia Moniz,
O Meu Coração Não Tem Cor
segunda-feira, 8 de março de 2010
Há Dias Assim
Tema escrito e composto pelo jornalista da SIC Augusto Madureira venceu a grande final no Campo Pequeno
O tema, nasceu "há oito meses", e quando se decidiu a levá-lo ao Festival da Canção falaram-lhe da jovem que tinha vencido, em 2007, o concurso da SIC Família Superstar. "Fui ao YouTube e fiquei de boca aberta." Ligou-lhe, deu-lhe quatro temas, e "Há Dias Assim" foi a preferida da intérprete "desde o primeiro minuto". "Ela deu imensa voz e alma à minha canção", sublinhou Augusto Madureira. A canção foi a mais votada pelo júri das capitais de distrito de Portugal e obteve sete pontos do júri do público.
LINA SANTOS / DN, 08/03/2010
O tema, nasceu "há oito meses", e quando se decidiu a levá-lo ao Festival da Canção falaram-lhe da jovem que tinha vencido, em 2007, o concurso da SIC Família Superstar. "Fui ao YouTube e fiquei de boca aberta." Ligou-lhe, deu-lhe quatro temas, e "Há Dias Assim" foi a preferida da intérprete "desde o primeiro minuto". "Ela deu imensa voz e alma à minha canção", sublinhou Augusto Madureira. A canção foi a mais votada pelo júri das capitais de distrito de Portugal e obteve sete pontos do júri do público.
LINA SANTOS / DN, 08/03/2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Chamar a Música
A eliminatória portuense do Festival da RTP da canção foi vencida por uma cabo-verdiana que já actuara no «Chuva de Estrelas», programa de Catarina Furtado para a SIC. E outros concorrentes também vieram dessa fornada. Mas apesar destas promessas, um elemento do próprio júri considera que o «nível musical baixa».
Nesta eliminatória portuense -- que se realizou pela primeira vez e a que se seguirá outra idêntica, na próxima segunda-feira, no Teatro S. Luiz, em Lisboa --, três dos dez intérpretes concorrentes tinham já tido a sua revelação televisiva no programa «Chuva de Estrelas», da SIC. E foi, precisamente, uma dessas revelações do programa de Catarina Furtado, uma jovem de 15 anos de ascendência cabo-verdiana, Sara Alexandre, que obteve a mais alta pontuação da noite: 44 dos 50 pontos em disputa, com uma canção de um compositor praticamente desconhecido, João Mota Oliveira.
Estudante de design, Sara vive em Almada e é a rapariga mais velha de uma prole de 11 filhos de um casal separado por um oceano. O pai vive nos Estados Unidos, a mãe no Algarve. «Tenho uma luz dentro de mim, e acredito ter boas hipóteses para a final», explicou a jovem intérprete.
«Luz interior» e «nível inferior»
Rosa Lobato Faria, autora da letra desta canção, intitulada «Chamar a Música», há já quatro anos que concorre ao festival da canção. «Sempre a convite dos compositores», como faz questão de dizer: «O João Oliveira, um jovem que me foi apresentado por uma amiga comum e que está a estrear-se, enviou-me algumas composições e achei que esta era a mais bonita. Gostei logo do trabalho dele». «Mas antes de isso acontecer tinha visto a Sara no `Chuva de Estrelas', em que interpretou uma canção da Whitney Houston, e vi logo que ela tinha uma magia toda especial, uma voz fantástica e, sobretudo, uma luz interior qualquer», concluiu a letrista.
«Ela canta excepcionalmente bem. A interpretação é fantástica» referiu, por seu turno, André Sarbib, um dos elementos do júri, acrescentando: «A miúda é promissora, a melodia é bonita e a orquestração (de Thilo Krassman) melhor ainda».
António Lage / Público, 12/01/1994
Nesta eliminatória portuense -- que se realizou pela primeira vez e a que se seguirá outra idêntica, na próxima segunda-feira, no Teatro S. Luiz, em Lisboa --, três dos dez intérpretes concorrentes tinham já tido a sua revelação televisiva no programa «Chuva de Estrelas», da SIC. E foi, precisamente, uma dessas revelações do programa de Catarina Furtado, uma jovem de 15 anos de ascendência cabo-verdiana, Sara Alexandre, que obteve a mais alta pontuação da noite: 44 dos 50 pontos em disputa, com uma canção de um compositor praticamente desconhecido, João Mota Oliveira.
Estudante de design, Sara vive em Almada e é a rapariga mais velha de uma prole de 11 filhos de um casal separado por um oceano. O pai vive nos Estados Unidos, a mãe no Algarve. «Tenho uma luz dentro de mim, e acredito ter boas hipóteses para a final», explicou a jovem intérprete.
«Luz interior» e «nível inferior»
Rosa Lobato Faria, autora da letra desta canção, intitulada «Chamar a Música», há já quatro anos que concorre ao festival da canção. «Sempre a convite dos compositores», como faz questão de dizer: «O João Oliveira, um jovem que me foi apresentado por uma amiga comum e que está a estrear-se, enviou-me algumas composições e achei que esta era a mais bonita. Gostei logo do trabalho dele». «Mas antes de isso acontecer tinha visto a Sara no `Chuva de Estrelas', em que interpretou uma canção da Whitney Houston, e vi logo que ela tinha uma magia toda especial, uma voz fantástica e, sobretudo, uma luz interior qualquer», concluiu a letrista.
«Ela canta excepcionalmente bem. A interpretação é fantástica» referiu, por seu turno, André Sarbib, um dos elementos do júri, acrescentando: «A miúda é promissora, a melodia é bonita e a orquestração (de Thilo Krassman) melhor ainda».
António Lage / Público, 12/01/1994
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Oração

No fim ganhou "Oração" que, apesar de inédita tinha já sido cantada no Teatro (sabiam?)- é o próprio Calvário que o confirma num artigo da época em que explica que isso não é impedimento, face às regras do concurso... e o resto é história!
http://www.historia.com.pt/vinyl/txt/1964.htm
http://www.historia.com.pt/vinyl/txt/1964.htm
(página sobre os Festivais existentes antes de 1964)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Antes do Adeus

Em 1997, o meu querido e saudoso amigo Thilo Krassman convidou-me para fazer parte do coro que acompanhava a Célia Lawson, no Festival da Canção da RTP desse ano.
É claro que eu disse logo que sim, até porque os restantes membros do coro eram e são grandes amigos e estávamos sempre presentes nos Caipirinha Opens, periódicamente realizados, quer em casa do Thilo, quer na minha.
Pois aceitei sem saber qual era a música e nem conhecia a Célia. A música era do Thilo e a letra era da Srª Dona Rosa Lobato Faria. Uma queridona. Lá ensaiámos aquela pepineira, lá ganhámos cá o Festival e lá fomos para a Irlanda, passar uma semana de gozo total.
O grupo era excelente e cognominado de “Os Sempre Em Festa”. Aqui vai a foto, da esquerda para a direita: Mico da Câmara Pereira, Pedro Pinto Coelho, Vicky Paes Martins e Zé Ferreira. Ao colo, Célia Lawson.
Na Irlanda, conseguimos o feito único de ficar em 23º Lugar, com ZERO points.....
As negociações com os outros paises foram mal sucedidas e os vencedores desse ano do Festival Europeu da Canção foram os Europeíssimos TURCOS.
Quem quiser ver e ouvir o desastre, clique aqui.
Vicky / http://guedelhudos.blogspot.com/2008/11/um-desastre-na-euroviso.html
É claro que eu disse logo que sim, até porque os restantes membros do coro eram e são grandes amigos e estávamos sempre presentes nos Caipirinha Opens, periódicamente realizados, quer em casa do Thilo, quer na minha.
Pois aceitei sem saber qual era a música e nem conhecia a Célia. A música era do Thilo e a letra era da Srª Dona Rosa Lobato Faria. Uma queridona. Lá ensaiámos aquela pepineira, lá ganhámos cá o Festival e lá fomos para a Irlanda, passar uma semana de gozo total.
O grupo era excelente e cognominado de “Os Sempre Em Festa”. Aqui vai a foto, da esquerda para a direita: Mico da Câmara Pereira, Pedro Pinto Coelho, Vicky Paes Martins e Zé Ferreira. Ao colo, Célia Lawson.
Na Irlanda, conseguimos o feito único de ficar em 23º Lugar, com ZERO points.....
As negociações com os outros paises foram mal sucedidas e os vencedores desse ano do Festival Europeu da Canção foram os Europeíssimos TURCOS.
Quem quiser ver e ouvir o desastre, clique aqui.
Vicky / http://guedelhudos.blogspot.com/2008/11/um-desastre-na-euroviso.html
Tema com letra de Rosa Lobato de Faria (1932-2010)
Um Grande, Grande Amor
[Em 1980] José Cid alcança finalmente o primeiro lugar do Festival da Canção, cantando "Um Grande, Grande, Amor", com letra e música de sua autoria e brilhantes orquestrações de Mike Sergeant.Na verdade, com o tema “ Um grande, grande amor” tudo parecia estar encaminhado para que finalmente Portugal pudesse suspirar por um desfecho mais favorável na Eurovisão, capaz de superar o 7.º lugar de Carlos Mendes em 1972.
Efectivamente, pese embora a banalização que “Um grande, grande amor” alcançou posteriormente, o certo é que em pleno ínicio da década de 80 José Cid apresenta no Festival da Eurovisão um tema provido de um beat rapido, uma semi mescla de rock vertido na ligeireza de disco sound com arranjos esmerados e, como tal, perfeitamente enquadrável no ambiente de festa da Eurovisão e da (suposta) linguagem universal que esses festivais transbordam...A própria letra da canção é um reflexo dessa linguagem universal, pela utilização de um refrão em várias idiomas (português, inglês, francês e alemão), no qual José Cid nos primeiros versos canta: “Adio, adieu,auf wiedersehn, good bye, Amore, amour, mein liebe, love of my life “.
(...) Por mera curiosidade, retiramos um excerto de um artigo da imprensa da época sobre o referido festival que ilustra de forma simples e precisa o ambiente de desilusão e as eventuais causas do “ fracasso” de José Cid na Eurovisão de 1980.
“Segundo o próprio José Cid, aquela semana de convívio com o pessoal do Festival da Eurovisão de 1980, terá sido o mais importante triunfo da sua notável carreira artística. Muitos diziam, desde o primeiro momento, que ele seria o vencedor indiscutível e em boa verdade, se não fossem os bens conhecidos jogos de bastidores sujeitos aos altos trusts internacionais das empresas gravadoras, na realidade José Cid seria o indiscutível vencedor do Eurofestival de 1980. Mas o talento e o trabalho profícuo pouco valem perante certos interesses... José Cid não ganhou o Eurofestival de 1980, mas foi, sem dúvida, o maior da Europa... Quem é capaz de o pôr em duvida?
(...) Com a crescente tendência para que concorrentes ao Festival se apresentem a concurso com canções cantadas noutras línguas, nomeadamente o inglês, (facto que já ocorreu com a participação portuguesa de 2005), uma pergunta se coloca necessariamente: Qual teria sido a classificação de José Cid caso o mesmo tivesse cantado a canção “Um grande, grande amor” em inglês, em detrimento do português?
(...) o Artista gravou uma versão em inglês da canção um “Um grande, grande amor”, distribuído pela etiqueta alemã Jupiter Records, com o renovado título de “ We'll meet again” (Jupiter Records – Gema – 132 035).
Na nossa opinião, e com o devido respeito pela nossa amada língua portuguesa, “We'll meet again” é talvez a versão definitiva de “Um grande, grande amor”, na medida em que o ouvinte à medida que percorre os quase quatro minutos de “We'll meet again”, jamais poderá associar esta canção a uma versão de uma canção anterior, bem pelo contrário: "We’ll meet again" apresenta um som fresco, com uma mensagem manifestamente universal. Nunca a utilização da língua inglesa por parte de José Cid teve tanto impacto numa canção senão em “We'll meet again”, na qual os afinados e poderosos coros a ajudam a tornar-se perfeita.”. Não temos dúvida em afirmar que se “We'll meet again” tivesse feito, por exemplo, parte do reportário dos ABBA, ou de outros grupos de entretenimento dos anos 80, que o conhecimento por parte do público desta canção seria irremediavelmente outro.
Como assim não sucedeu, “We'll meet again” continua a ser uma das canções de José Cid menos conhecidas dos portugueses, e cuja edição em CD ainda não existe, nem estando sequer prevista uma qualquer data ou projecto, para inclusão desta canção em qualquer projecto relacionado com a discografia de José Cid.
Da nossa parte, resta-nos através deste honesto artigo de opinião, contribuir para o seu não esquecimento.
João Pedro / Blog José Cid D. Camaleão
ler a totalidade do texto bem como ouvir a versão inglesa em:
http://josecidcamaleao.blogspot.com/2009/05/well-meet-again.html
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Amor de Água Fresca

Entrevista do jornal Sol a Rosa Lobato de Faria (1932-2010)
P - Foi daí que veio o fascínio pela fruta que, mais tarde, aparece na célebre canção Amor de Água Fresca?
A fruta foi outra coisa. Em 1992, ainda não tinha começado a escrever romances, a Dina trouxe-me uma música: 'Ai Rosinha, vamos concorrer ao festival, faça-me uma letra'. Ouvi a música e pensei: 'Isto é tão fresco. Vou meter fruta. Tudo fruta'. E pronto, fiz uma cantiga com fruta.
P - Essa letra ficou no ouvido de muita gente.
Acreditam que ainda hoje, quando vou às escolas por causa dos livros infantis, os miúdos me recebem a cantar o Amor de Água Fresca? Toda a gente sabe a letra, é uma coisa engraçada. Mas pelos vistos sou uma poetisa hermética, porque ninguém percebeu a letra. Já que éramos duas mulheres a concorrer, resolvi fazer uma cantiga feminista. 'Peguei, trinquei e meti-te na cesta', é o que os homens nos fazem. Agarram, usam, espremem, tomam o sumo e metem na cesta. Pois eu resolvi fazer uma cantiga em que são as mulheres que fazem isso aos homens.
P - Foi uma maneira engraçada de ficar no imaginário popular.
Já escrevi mais de 1600 letras, não foi uma nem duas. Mas gostei. E uma vez que o Ary dos Santos tinha ganho quatro festivais, eu decidi que também ia ganhar quatro. E ganhei.
Entrevista de Maria Francisca Seabra e Vladimiro Nunes / revista Tabu, 04/08/2007
P - Foi daí que veio o fascínio pela fruta que, mais tarde, aparece na célebre canção Amor de Água Fresca?
A fruta foi outra coisa. Em 1992, ainda não tinha começado a escrever romances, a Dina trouxe-me uma música: 'Ai Rosinha, vamos concorrer ao festival, faça-me uma letra'. Ouvi a música e pensei: 'Isto é tão fresco. Vou meter fruta. Tudo fruta'. E pronto, fiz uma cantiga com fruta.
P - Essa letra ficou no ouvido de muita gente.
Acreditam que ainda hoje, quando vou às escolas por causa dos livros infantis, os miúdos me recebem a cantar o Amor de Água Fresca? Toda a gente sabe a letra, é uma coisa engraçada. Mas pelos vistos sou uma poetisa hermética, porque ninguém percebeu a letra. Já que éramos duas mulheres a concorrer, resolvi fazer uma cantiga feminista. 'Peguei, trinquei e meti-te na cesta', é o que os homens nos fazem. Agarram, usam, espremem, tomam o sumo e metem na cesta. Pois eu resolvi fazer uma cantiga em que são as mulheres que fazem isso aos homens.
P - Foi uma maneira engraçada de ficar no imaginário popular.
Já escrevi mais de 1600 letras, não foi uma nem duas. Mas gostei. E uma vez que o Ary dos Santos tinha ganho quatro festivais, eu decidi que também ia ganhar quatro. E ganhei.
Entrevista de Maria Francisca Seabra e Vladimiro Nunes / revista Tabu, 04/08/2007
domingo, 31 de janeiro de 2010
O Meu Coração Não Tem Cor

Uma Canção Diferente
Um dia o Pedro Osório telefonou-me. Era para fazermos uma canção. Queria levar a Lúcia, filha do Carlos Alberto Moniz e da Maria do Amparo ao Festival da Canção da RTP. Nem hesitei. Conhecia a Lucinha quase de bébé. Nem hesitei.
Queríamos fazer uma canção diferente do que era costume nos anos 90. Com outra estaleca. Não foi fácil fazer a letra porque trabalhar com o Pedro Osório é um previlégio mas o seu rigor e a sua exigência vão até ao mais pequeno pormenor.
A canção chamou-se "O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR". Era uma festa. Não fast-food musical mas música profundamente popular.
Inesperadamente ganhou o Festival da RTP cá em Portugal e foi ao Eurofestival em Oslo onde a Lúcia encantou toda a gente com a sua extrema simpatia e o som do cavaquinho com que andava por toda a parte.
Tornou-se numa das favoritas e teve a melhor classificação de todas as canções portuguesas que até hoje concorreram ao Festival da Eurovisão. Nunca foi gravada em disco. Vá-se lá saber porquê. Mas fica aqui. Para que a ouça quem quiser.
José Fanha
http://queridasbibliotecas.blogspot.com/2007/11/uma-cano-diferente.html
fonte da imagem:http://queridasbibliotecas.blogspot.com/2007/11/o-meu-corao-no-tem-cor.html
http://queridasbibliotecas.blogspot.com/2007/11/oslo-1996_30.html
http://queridasbibliotecas.blogspot.com/2007/11/lcia-moniz-euroviso-oslo-1996.html
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Lúcia Moniz,
O Meu Coração Não Tem Cor
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Doce
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Verão

Acabado de sair dos Sheiks e na sua primeira aventura a solo, ainda estudante de Arquitectura, Carlos Mendes venceu o V Festival RTP da Canção, realizado no dia 04 de Março de 1968.
No podium ficaram ainda Tonicha ("Fui Ter Com A Madrugada") e José Cid ("Balada Para D. Inês").
Para a História ficou a polémica que então se levantou com a vitória da canção de José Alberto Diogo e Pedro Osório.
Os regulamentos determinam que as canções concorrentes ao Festival sejam originais, inéditas, mas logo houve quem denunciasse que o "Verão" já tinha sido ouvido por mais de 20 mil pessoas durante 6 meses no "Porão da Nau", boîte de Lisboa onde actuava o Quinteto Académico (hence José Alberto Diogo e Pedro Osório).
Pedro Osório veio a terreiro confirmar que a canção, "Verão" e/ou "Summer", já tinha sido tocada antes do Festival, "mas só à experiência, não tendo sido feita qualquer gravação ou sido radiodifundida".
"De resto - disse à revista "Rádio & Televisão" - a versão que foi apresentada na Televisão tem alterações que foram introduzidas quando dos arranjos".
Mário Assis Ferreira, manager do Quinteto Académico + 2 e actual presidente dos casinos da Estoril-Sol, afirmou à mesma revista que o grupo "nada tinha a ver com o caso".
"Tudo o que o que posso adiantar é que a canção "Summer" foi composta para ser gravada pelo anterior Quinteto, o que não chegou a verificar-se", sublinhou.
Já ninguém se lembra desta controvérsia, mas não deixa de ser curioso recordá-la.
http://guedelhudos.blogspot.com/2008/04/0-vero-de-h-40-anos.html
No podium ficaram ainda Tonicha ("Fui Ter Com A Madrugada") e José Cid ("Balada Para D. Inês").
Para a História ficou a polémica que então se levantou com a vitória da canção de José Alberto Diogo e Pedro Osório.
Os regulamentos determinam que as canções concorrentes ao Festival sejam originais, inéditas, mas logo houve quem denunciasse que o "Verão" já tinha sido ouvido por mais de 20 mil pessoas durante 6 meses no "Porão da Nau", boîte de Lisboa onde actuava o Quinteto Académico (hence José Alberto Diogo e Pedro Osório).
Pedro Osório veio a terreiro confirmar que a canção, "Verão" e/ou "Summer", já tinha sido tocada antes do Festival, "mas só à experiência, não tendo sido feita qualquer gravação ou sido radiodifundida".
"De resto - disse à revista "Rádio & Televisão" - a versão que foi apresentada na Televisão tem alterações que foram introduzidas quando dos arranjos".
Mário Assis Ferreira, manager do Quinteto Académico + 2 e actual presidente dos casinos da Estoril-Sol, afirmou à mesma revista que o grupo "nada tinha a ver com o caso".
"Tudo o que o que posso adiantar é que a canção "Summer" foi composta para ser gravada pelo anterior Quinteto, o que não chegou a verificar-se", sublinhou.
Já ninguém se lembra desta controvérsia, mas não deixa de ser curioso recordá-la.
http://guedelhudos.blogspot.com/2008/04/0-vero-de-h-40-anos.html
sábado, 16 de janeiro de 2010
Sobe Sobe Balão Sobe
Filha de um cantor lírico, Loubet Bravo, a cantora sempre viveu da música e começou a cantar e tocar quando tinha apenas 13 anos. "Começo a tocar viola com 12 anos, porque tive um professor de canto coral que fazia parcerias com o Francisco Fanhais, que também era um cantor de intervenção. Incutiu-nos educação musical e alguma intervenção política também. Já tocava o Adriano, Zé Mário Branco, com 12, 13 e 14 anos de idade", explicou em início de conversa.Mais tarde, já adolescente, as suas preferências musicais iam para os Beatles e o Quarteto 1111. Por isso aceitou com relutância o convite para defender o tema "Sobe, sobe, balão sobe", no Festival da Canção de 1979. "Hoje fala-se muito de música pimba. Aquela era uma música pimba da época. Estávamos muito colados ao 25 de Abril e usava-se muito ainda o canto de intervenção. Tudo o que não fosse canto de intervenção ou música popular portuguesa, com instrumentos de raiz, cavaquinhos, era assim considerado".
As dificuldades familiares acabaram por dar um empurrãozinho, para o palco do festival. "O meu pai faleceu aos 78 anos, vítima de acidente, foi uma altura muito complicada. No final desse ano ligam-me para ir ao festival. Não tinha nada a ver com o que eu gostava mas a vida era difícil. Pensei duas vezes: quem sabe se não está aqui um trunfo para eu ganhar dinheiro!". E se bem o pensou, melhor o fez. "Na altura já cantava em publicidade, fazia coros. E acabou por ser uma alavanca para a minha carreira, sobretudo numa época em que o país parava para ver o Festival. Além disso, bastava estar presente num festival, nem era preciso ganhar, para ser popular", recorda.
Na Eurovisão arrecadou um honroso 9º lugar e emocionou-se quando foi reconhecida num mercado em Israel. "Foi muito bom! Além disso, a versão em Francês esteve no Top, em Paris. Tive imensos convites para ir para o estrangeiro, mas não fui porque estava no curso de Direito".
Entrevista ao jornal Público
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Um Grande, Grande Amor
"Esta música é uma manta de retalhos, projectada para competir no Festival da Canção. Não nasceu da inspiração. É simplesmente um puzzle de coisas agradáveis ao ouvido. Quando a escrevi, irritei uma parte da esquerda com a referência ao Muro de Berlim: ?Este amor não tem grades, fronteiras, barreiras, muro em Berlim.? Um certo dia, encontrei a Odete Santos que me disse que eu cantava muito bem, mas não tinha gostado nada daquilo do Muro de Berlim. Respondi-lhe que era verdade, o muro já tinha caído. Ela retorquiu: ?Mas caiu mal.?"quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Desfolhada

Março de 1969 - O festival RTP da canção desse ano ficaria marcado pela canção de José Carlos Ary dos Santos e de Nuno Nazareth Fernandes - A Desfolhada.
Escrita, numa primeira fase para Amália Rodrigues, teve como primeira escolha Elisa Lisboa e como segunda escolha Madalena Iglésias.
http://simonefaclube.blogspot.com/2009/02/simone-1969.html
A «Desfolhada» fora inicialmente escrita para a actriz Elisa Lisboa. Só que Elisa Lisboa não a pôde cantar no Festival de 1969 porque tinha marcada parao mesmo dia a estreia de uma peça de teatro em que era protagonista. Ary dos Santos, autor da letra, opta então por Madalena Iglésias, mas esta faz umagravação prévia onde lhe corta o verso «Quem faz um filho, fá-lo por gosto». Irritado com a autocensura, Ary convida Simone a cantá-la. «E eu não cortei nada! Então quem faz um filho, não o faz por gosto?» (Simone de Oliveira)
Escrita, numa primeira fase para Amália Rodrigues, teve como primeira escolha Elisa Lisboa e como segunda escolha Madalena Iglésias.
http://simonefaclube.blogspot.com/2009/02/simone-1969.html
A «Desfolhada» fora inicialmente escrita para a actriz Elisa Lisboa. Só que Elisa Lisboa não a pôde cantar no Festival de 1969 porque tinha marcada parao mesmo dia a estreia de uma peça de teatro em que era protagonista. Ary dos Santos, autor da letra, opta então por Madalena Iglésias, mas esta faz umagravação prévia onde lhe corta o verso «Quem faz um filho, fá-lo por gosto». Irritado com a autocensura, Ary convida Simone a cantá-la. «E eu não cortei nada! Então quem faz um filho, não o faz por gosto?» (Simone de Oliveira)
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