A eliminatória portuense do Festival da RTP da canção foi vencida por uma cabo-verdiana que já actuara no «Chuva de Estrelas», programa de Catarina Furtado para a SIC. E outros concorrentes também vieram dessa fornada. Mas apesar destas promessas, um elemento do próprio júri considera que o «nível musical baixa».
Nesta eliminatória portuense -- que se realizou pela primeira vez e a que se seguirá outra idêntica, na próxima segunda-feira, no Teatro S. Luiz, em Lisboa --, três dos dez intérpretes concorrentes tinham já tido a sua revelação televisiva no programa «Chuva de Estrelas», da SIC. E foi, precisamente, uma dessas revelações do programa de Catarina Furtado, uma jovem de 15 anos de ascendência cabo-verdiana, Sara Alexandre, que obteve a mais alta pontuação da noite: 44 dos 50 pontos em disputa, com uma canção de um compositor praticamente desconhecido, João Mota Oliveira.
Estudante de design, Sara vive em Almada e é a rapariga mais velha de uma prole de 11 filhos de um casal separado por um oceano. O pai vive nos Estados Unidos, a mãe no Algarve. «Tenho uma luz dentro de mim, e acredito ter boas hipóteses para a final», explicou a jovem intérprete.
«Luz interior» e «nível inferior»
Rosa Lobato Faria, autora da letra desta canção, intitulada «Chamar a Música», há já quatro anos que concorre ao festival da canção. «Sempre a convite dos compositores», como faz questão de dizer: «O João Oliveira, um jovem que me foi apresentado por uma amiga comum e que está a estrear-se, enviou-me algumas composições e achei que esta era a mais bonita. Gostei logo do trabalho dele». «Mas antes de isso acontecer tinha visto a Sara no `Chuva de Estrelas', em que interpretou uma canção da Whitney Houston, e vi logo que ela tinha uma magia toda especial, uma voz fantástica e, sobretudo, uma luz interior qualquer», concluiu a letrista.
«Ela canta excepcionalmente bem. A interpretação é fantástica» referiu, por seu turno, André Sarbib, um dos elementos do júri, acrescentando: «A miúda é promissora, a melodia é bonita e a orquestração (de Thilo Krassman) melhor ainda».
António Lage / Público, 12/01/1994
Sem comentários:
Enviar um comentário