sábado, 16 de janeiro de 2010

Sobe Sobe Balão Sobe

Filha de um cantor lírico, Loubet Bravo, a cantora sempre viveu da música e começou a cantar e tocar quando tinha apenas 13 anos. "Começo a tocar viola com 12 anos, porque tive um professor de canto coral que fazia parcerias com o Francisco Fanhais, que também era um cantor de intervenção. Incutiu-nos educação musical e alguma intervenção política também. Já tocava o Adriano, Zé Mário Branco, com 12, 13 e 14 anos de idade", explicou em início de conversa.

Mais tarde, já adolescente, as suas preferências musicais iam para os Beatles e o Quarteto 1111. Por isso aceitou com relutância o convite para defender o tema "Sobe, sobe, balão sobe", no Festival da Canção de 1979. "Hoje fala-se muito de música pimba. Aquela era uma música pimba da época. Estávamos muito colados ao 25 de Abril e usava-se muito ainda o canto de intervenção. Tudo o que não fosse canto de intervenção ou música popular portuguesa, com instrumentos de raiz, cavaquinhos, era assim considerado".

As dificuldades familiares acabaram por dar um empurrãozinho, para o palco do festival. "O meu pai faleceu aos 78 anos, vítima de acidente, foi uma altura muito complicada. No final desse ano ligam-me para ir ao festival. Não tinha nada a ver com o que eu gostava mas a vida era difícil. Pensei duas vezes: quem sabe se não está aqui um trunfo para eu ganhar dinheiro!". E se bem o pensou, melhor o fez. "Na altura já cantava em publicidade, fazia coros. E acabou por ser uma alavanca para a minha carreira, sobretudo numa época em que o país parava para ver o Festival. Além disso, bastava estar presente num festival, nem era preciso ganhar, para ser popular", recorda.

Na Eurovisão arrecadou um honroso 9º lugar e emocionou-se quando foi reconhecida num mercado em Israel. "Foi muito bom! Além disso, a versão em Francês esteve no Top, em Paris. Tive imensos convites para ir para o estrangeiro, mas não fui porque estava no curso de Direito".

Entrevista ao jornal Público

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