A canção de sua autoria "Porta Secreta" com música de Carlos Canelhas e, interpretada por Artur Garcia, foi classificada a melhor canção do ano de 1967 pelos leitores do jornal "O Século" , com uma votação de 145.246 pontos, tendo a canção vencedora do festival desse ano "O vento mudou" obtido o 2º lugar com o total de 54.518 pontos.
A canção "Porta Secreta" (António José/Carlos Canelhas) obteve o 5º lugar no IV Grande Premio TV da Canção.
Site de António José
Festivais RTP
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Zé Brasileiro (Português de Braga) - Alexandra
autoria: Vasco de Lima Couto/António Sala
P. Essa letra de uma canção famosa da década de 70 é uma breve biografia da sua vida?
R. Sim. Foi um poema que Vasco de Lima Couto fez para me oferecer no meu aniversário em 1969. O poema foi dado ao António Sala para musicar, para fazer um pequeno disco para me oferecer nos meus anos. O António Sala fez a música e inseriu-a para concorrer no Festival da Canção.
P. Como é que se sentia quando ouvia essa música na rádio?
R. Muito bem. Ainda hoje gosto muito de a ouvir. É um espelho da minha vida no Brasil de 1961 a 1969.
Jornal O Mirante, 19/03/2008
autoria: Vasco de Lima Couto/António Sala
P. Essa letra de uma canção famosa da década de 70 é uma breve biografia da sua vida?
R. Sim. Foi um poema que Vasco de Lima Couto fez para me oferecer no meu aniversário em 1969. O poema foi dado ao António Sala para musicar, para fazer um pequeno disco para me oferecer nos meus anos. O António Sala fez a música e inseriu-a para concorrer no Festival da Canção.
P. Como é que se sentia quando ouvia essa música na rádio?
R. Muito bem. Ainda hoje gosto muito de a ouvir. É um espelho da minha vida no Brasil de 1961 a 1969.
Jornal O Mirante, 19/03/2008
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
O Pecado Capital
Em 1975 a RTP organizou o seu habitual Festival da Canção num ambiente configurado pelo PREC (processo revolucionário em curso) em que o exercício da democracia e o receio de desagradar à esquerda estavam presentes em todas as manifestações públicas.
Dando mais importância ao segundo aspecto desvalorizou o primeiro e decidiu, pela primeira vez,
escolher as canções concorrentes não por concurso público mas por convite.
Este convite foi feito muito em cima da hora numa reunião conjunta com todos os autores escolhidos, entre os quais eu, e quando observei que dispúnhamos de pouco tempo para escrever uma boa canção o Zé Mário Branco, na altura o mais radical dos presentes, disse num tom imponente – “Quando se sabe o que é que se tem para dizer não é necessário muito tempo!”
Houve quem lançasse a suspeita de que aquela frase se devia ao facto de ele já ter uma canção pronta para o efeito mas provavelmente isso não corresponderia à realidade.
Acabei por escrever uma canção de parceria com o Jorge Palma com o título “O pecado capital” em que era feito um trocadilho entre o capital adjectivo e substantivo.
O festival realizou-se no Teatro Maria Matos e o processo de votação – também aqui desvalorizando a democracia para dar um ar mais “práfrentex” – foi retirado ao público e entregue aos próprios autores que teriam de votar uns nos outros.
O Zé Mário apareceu com o GAC – Grupo de Acção Cultural – e uma excelente canção heróica de título “Alerta”. O Sérgio Godinho tinha também uma belíssima canção – “A boca do lobo”, apresentando-se estes como os mais fortes concorrentes.
Só que quando se entrou na auto-votação aconteceu o que era previsível; cada um tentou puxar a brasa à sua sardinha e economizou os pontos que concedeu ao mais temido concorrente. Feitas as contas acabou por ganhar uma canção do José Luís Tinoco, que todos achavam bonita mas inofensiva.
Também aqui andávamos todo a aprender a viver em liberdade.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm
Dando mais importância ao segundo aspecto desvalorizou o primeiro e decidiu, pela primeira vez,
escolher as canções concorrentes não por concurso público mas por convite.
Este convite foi feito muito em cima da hora numa reunião conjunta com todos os autores escolhidos, entre os quais eu, e quando observei que dispúnhamos de pouco tempo para escrever uma boa canção o Zé Mário Branco, na altura o mais radical dos presentes, disse num tom imponente – “Quando se sabe o que é que se tem para dizer não é necessário muito tempo!”
Houve quem lançasse a suspeita de que aquela frase se devia ao facto de ele já ter uma canção pronta para o efeito mas provavelmente isso não corresponderia à realidade.
Acabei por escrever uma canção de parceria com o Jorge Palma com o título “O pecado capital” em que era feito um trocadilho entre o capital adjectivo e substantivo.
O festival realizou-se no Teatro Maria Matos e o processo de votação – também aqui desvalorizando a democracia para dar um ar mais “práfrentex” – foi retirado ao público e entregue aos próprios autores que teriam de votar uns nos outros.
O Zé Mário apareceu com o GAC – Grupo de Acção Cultural – e uma excelente canção heróica de título “Alerta”. O Sérgio Godinho tinha também uma belíssima canção – “A boca do lobo”, apresentando-se estes como os mais fortes concorrentes.
Só que quando se entrou na auto-votação aconteceu o que era previsível; cada um tentou puxar a brasa à sua sardinha e economizou os pontos que concedeu ao mais temido concorrente. Feitas as contas acabou por ganhar uma canção do José Luís Tinoco, que todos achavam bonita mas inofensiva.
Também aqui andávamos todo a aprender a viver em liberdade.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm
domingo, 21 de novembro de 2010
Self Made Man
Em 1980 o Festival RTP da Canção ainda constituía um acontecimento musical relevante, não só pelo impacto que conseguia ter no mercado da música mas, principalmente, por contar com uma grande orquestra que ensaiava durante uma semana, produzindo assim uma espécie de "conclave de músicos" cuja repercussão se estendia pelos meses seguintes.
Nesse ano eu concorri com uma canção divertida, “Self made man”, cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saia uma herança duma tia afastada. Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana, formada por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorados por três vozes femininas.
Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "...foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.
Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!
Como a cantiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.
Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do ‘staff’ das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala – comunas… comuuunas…
Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm#selfmademan
Nesse ano eu concorri com uma canção divertida, “Self made man”, cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saia uma herança duma tia afastada. Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana, formada por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorados por três vozes femininas.
Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "...foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.
Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!
Como a cantiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.
Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do ‘staff’ das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala – comunas… comuuunas…
Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.
Pedro Osório
http://www.pedroosorio.com/cronicas.htm#selfmademan
sábado, 20 de novembro de 2010
Cantemos Até Ser Dia
Já houve um tempo em que os Festivais da Canção da RTP tinham a concurso canções um pouco melhores e, em alguns casos, cantadas por cantores e cantoras, para dizer o mínimo... diferentes.
Ainda voltarei algumas vezes a este assunto. Por hoje, deixo-vos com a Teresa Silva Carvalho, cantando uma grande canção (que não foi a lado nenhum...) da autoria do Pedro Osório, que também orquestrou e dirigiu a orquestra. Estávamos em 1979.
Apenas como curiosidade, a fazer as vozes de suporte para a Teresa, está um “empenhado” coro, constituído pelo Carlos Alberto Moniz, a Madalena Leal (filha do José Viana e da Dora Leal), a nossa amiga Joana (que se deixou destas coisas), eu próprio (apenas com dois terços do peso e uma floresta de cabelo) e a minha companheira de viagem desde há 25 anos, a Maria do Amparo (que suavemente se foi transformando na Vovó Maria).
Mesmo dando-se o caso de alguns de nós termos entrado no mesmo Festival como “artistas principais”, por qualquer razão achávamos que não nos caíam os galões por, na mesma noite, subirmos ao palco como solistas e a seguir, noutra música, fazendo coro para os amigos. Feitios...
Fiquem pois com esta bela melodia (e letra!) do Pedro Osório e entrem bem no fim-de-semana.
Samuel, 06/12/2008
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2008/12/cantemos-at-ser-dia.html
clicar no link acima para ler a letra e ver o video da canção
Ainda voltarei algumas vezes a este assunto. Por hoje, deixo-vos com a Teresa Silva Carvalho, cantando uma grande canção (que não foi a lado nenhum...) da autoria do Pedro Osório, que também orquestrou e dirigiu a orquestra. Estávamos em 1979.
Apenas como curiosidade, a fazer as vozes de suporte para a Teresa, está um “empenhado” coro, constituído pelo Carlos Alberto Moniz, a Madalena Leal (filha do José Viana e da Dora Leal), a nossa amiga Joana (que se deixou destas coisas), eu próprio (apenas com dois terços do peso e uma floresta de cabelo) e a minha companheira de viagem desde há 25 anos, a Maria do Amparo (que suavemente se foi transformando na Vovó Maria).
Mesmo dando-se o caso de alguns de nós termos entrado no mesmo Festival como “artistas principais”, por qualquer razão achávamos que não nos caíam os galões por, na mesma noite, subirmos ao palco como solistas e a seguir, noutra música, fazendo coro para os amigos. Feitios...
Fiquem pois com esta bela melodia (e letra!) do Pedro Osório e entrem bem no fim-de-semana.
Samuel, 06/12/2008
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2008/12/cantemos-at-ser-dia.html
clicar no link acima para ler a letra e ver o video da canção
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Tourada
Os filhos, os amigos, a escola, tudo são sinais que ficam para a vida, por dentro dela. Mas há outros sinais, no meu caso as canções. Em 72 disse ao Ary que aquele meu tema musical me sugeria tourada, praça de touros, cor, trajes, modos e meneios, cortesias e falta delas, a linguagem tão específica da "festa dos touros" que aprendi em anos de transmissões da RTP e que serviram para transmitir ao Ary - "...mas eu não sei nada de touradas!" O vocabulário que consta do histórico texto da canção, escrevi-o eu naquelas folhas de sebenta onde o Ary registou a parte mais importante das letras para Música da história da canção em Portugal.
No próximo sábado, vou à "Casa Maior" do toureio no nosso país cantar a célebre e sempre oportuna "Tourada". Tem um significado especial para mim? Tem. A verdade é que já há uns anos, no mesmo local e com direcção do Filipe La Féria ouvi a dita cantiga cantada por um jovem que a interpretou com coragem e qualidade. Mas ser eu a fazê-lo tem, também para mim, um encanto especial. Porque a tourada continua a ser o espectáculo belo e polémico que se repete na canção, anunciando naquele tempo e para espanto de um povo inteiro, que pouco mais de um ano depois a nossa vida mudaria para nunca mais ser a mesma. Ir lá eu cantar, no pleno exercício da minha profissão e da Liberdade que a "Tourada" gritantemente anunciava, é um motivo de alegria, da mais pura e profunda alegria. Não sei quantas vezes terei cantado a "Tourada", e muito menos quantas vezes voltarei a cantá-la. Mas nenhuma foi ou será como esta, porque esta explica, ao cabo de 37 anos, que o que a canção diz nada tem a ver com um Campo Pequeno, como tantos erradamente julgaram. A "Tourada" tem a ver com o campo muito maior da liberdade que tantos anos depois ainda nos dá sinais de enfraquecimento, lembrando que há que cantar todas as canções do nosso sonho concretizado a tempo inteiro.
Fernando Tordo
http://quandonaosouberescopia.blogspot.com/
03/03/2010
No próximo sábado, vou à "Casa Maior" do toureio no nosso país cantar a célebre e sempre oportuna "Tourada". Tem um significado especial para mim? Tem. A verdade é que já há uns anos, no mesmo local e com direcção do Filipe La Féria ouvi a dita cantiga cantada por um jovem que a interpretou com coragem e qualidade. Mas ser eu a fazê-lo tem, também para mim, um encanto especial. Porque a tourada continua a ser o espectáculo belo e polémico que se repete na canção, anunciando naquele tempo e para espanto de um povo inteiro, que pouco mais de um ano depois a nossa vida mudaria para nunca mais ser a mesma. Ir lá eu cantar, no pleno exercício da minha profissão e da Liberdade que a "Tourada" gritantemente anunciava, é um motivo de alegria, da mais pura e profunda alegria. Não sei quantas vezes terei cantado a "Tourada", e muito menos quantas vezes voltarei a cantá-la. Mas nenhuma foi ou será como esta, porque esta explica, ao cabo de 37 anos, que o que a canção diz nada tem a ver com um Campo Pequeno, como tantos erradamente julgaram. A "Tourada" tem a ver com o campo muito maior da liberdade que tantos anos depois ainda nos dá sinais de enfraquecimento, lembrando que há que cantar todas as canções do nosso sonho concretizado a tempo inteiro.
Fernando Tordo
http://quandonaosouberescopia.blogspot.com/
03/03/2010
domingo, 25 de abril de 2010
E Depois do Adeus

"E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho (King Single, ORFEU WSAT 307, 1974), tem igualmente o seu lugar na história sonora do 25 de Abril. Foi a primeira senha via rádio às 22h55 do dia 24 na Rádio Graça, pertencente aos Emissores Associados de Lisboa. João Paulo Dinis lançou o primeiro sinal: "Faltam cinco minutos para as 23h00. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, "E Depois do Adeus". Era o sinal para a preparação de saída dos quartéis em Lisboa e num raio de 100 quilómetros (potência da rádio), o que incluia a Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas.
A canção, da autoria de José Niza e José Calvário, tinha sido escolhida pelo próprio João Paulo Dinis porque não levantava suspeitas. Era apenas a vencedora do Festival RTP da Canção e representante do país no Festival da Eurovisão que se tinha realizado em Brighton, no Reino Unido, duas semanas antes, no dia 06. O Festival foi ganho por "Waterloo", dos ABBA, e a canção portuguesa ficou em último lugar "ex aequo" com a Noruega, Alemanha e Suiça, com apenas três pontos, um dado por Espanha e dois pela Suiça.
A canção, da autoria de José Niza e José Calvário, tinha sido escolhida pelo próprio João Paulo Dinis porque não levantava suspeitas. Era apenas a vencedora do Festival RTP da Canção e representante do país no Festival da Eurovisão que se tinha realizado em Brighton, no Reino Unido, duas semanas antes, no dia 06. O Festival foi ganho por "Waterloo", dos ABBA, e a canção portuguesa ficou em último lugar "ex aequo" com a Noruega, Alemanha e Suiça, com apenas três pontos, um dado por Espanha e dois pela Suiça.
Luís Pinheiro de Almeida, Netparque, 16/04/2001
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